O Exército Sírio Livre (ESL) prometeu
nesta quarta-feira "castigar com severidade" as atrocidades cometidas
por seus homens, em meio à comoção mundial gerada por um vídeo que mostra um
suposto chefe rebelde arrancando o coração e o fígado do cadáver de um soldado
do regime de Assad.
No âmbito diplomático, a Assembleia
geral das Nações Unidas condenou nesta quarta-feira o governo sírio pela
"escalada" na guerra que assola o país e apoiou o papel da coalizão
opositora nas negociações para a transição.
A Rússia se opôs à resolução, alegando
que poderia ser um potencial obstáculo às negociações. Apenas 107 dos 193
membros da Assembleia apoiaram a resolução, contra 133 que fizeram o mesmo
quando a Síria estava no centro dos debates do organismo multilateral, no ano
passado.
Estados Unidos, Grã-Bretanha e França
se juntaram aos países árabes no apoio à resolução, apresentada pelo Qatar e
por outras nações árabes, que manifestaram a sua "indignação diante do
rápido aumento do total de mortos".
O Brasil, junto com países como
África do Sul e Índia, se absteve.
Em Beirute, a Coalizão Opositora
Síria saudou a decisão da Assembleia Geral, interpretada como uma
"mensagem clara" ao presidente sírio, Bashar al-Assad.
A oposição síria "saúda o voto
da Assembleia Geral da ONU que constitui uma mensagem clara ao regime de Bashar
al-Assad para que pare com a repressão selvagem à rebelião", indicou a
Coalizão em um comunicado.
A Coalizão pede nesse contexto que
"todos os amigos do povo sírio intensifiquem seus esforços para garantir
uma transição democrática do poder" na Síria, indicou o comunicado.
A Coalizão pediu também que o regime
seja pressionado "para permitir o passagem de ajuda humanitária e garanta
que os autores de crimes de guerra sejam julgados".
Mais cedo, o ESL prometeu justiça ao
se reagir à divulgação de um vídeo que chocou o mundo.
"O culpado de abusos será
castigado com severidade, mesmo que seja um membro do Exército Sírio
Livre", indicou o Estado-Maior do ESL em um comunicado.
"Os autores deste vídeo serão
detidos e julgados", prossegue o grupo no comunicado.
Segundo a Human Rights Watch (HRW), o
homem visto no vídeo retirando os órgãos de um cadáver de uniforme e levando o
coração à boca ameaçando devorá-lo é "um comandante da brigada rebelde
Omar al-Farouk", do ELS.
Entrevistado via Skype pela revista
americana Time, o rebelde, identificado como Khalid al-Hamad, diz ter agido
deste modo depois de encontrar no celular do soldado morto vídeos mostrando que
ele havia humilhado sua mulher, que estava nua, e suas duas filhas.
Nas imagens, o rebelde arranca o
coração e o fígado do soldado de uniforme, antes de gritar: "Juramos
diante de Deus que devoraremos seus corações e seus fígados, soldados de Bashar
o cão!".
Em seguida, o insurgente afirma ter
outro vídeo no qual é visto cometendo outras atrocidades, um fenômeno crescente
na guerra entre as tropas do regime de Assad e a rebelião.
Desde o início de março de 2011, após
a eclosão de uma revolta popular que se transformou em guerra civil, se
multiplicaram os vídeos que mostram atrocidades no país. O regime e os
rebeldes, que se enfrentam em um conflito que já deixou 94.000 mortos (segundo
dados de uma ONG), trocam acusações de crimes de guerra e contra a Humanidade.
Ainda nesta quarta, o regime sírio
rejeitou qualquer solução que implique uma saída de Assad do poder, diante da
perspectiva de uma conferência internacional proposta por Estados Unidos e
Rússia.
"A Síria não aceitará nenhuma
imposição e seus amigos também não aceitarão", proclamou o vice-ministro
sírio das Relações Exteriores, Faysal Moqdad, em entrevista na noite de
terça-feira à rede oficial síria Al-Ijbariya.
O chefe da diplomacia russa, Serguei
Lavrov, pediu que a oposição apoie os esforços de Moscou e Washington para
organizar a conferência.
"É importante que todos os
participantes da reunião expressem um claro apoio à iniciativa russo-americana
destinada a implementar o comunicado de Genebra", declarou Lavrov, citado
pelas agências russas.
No campo de batalha, o Exército
sírio, apoiado por tanques e pela aviação, tentava deter um ataque de rebeldes
contra a prisão central de Aleppo (norte), onde milhares de pessoas estão
detidas, indicou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH, próximo aos
rebeldes).
Cerca de 4.000 presos, entre eles
islamitas e criminosos de direito comum, estão detidos nessa prisão localizada
na periferia de Aleppo, uma região controlada majoritariamente pelos rebeldes.
O registro dos combates e bombardeios
ocorridos nesta quarta em diferentes pontos do país -Damasco, Hama, Homs
(centro) e Deraa (sul), entre outros- era de 38 mortos durante a tarde, indicou
o OSDH.



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