Moscou afirma que Ryan Fogle é funcionário da CIA e foi preso por
tentar recrutar um oficial russo.
MOSCOU - A Rússia declarou, nesta terça-feira, 14,
o diplomata norte-americano Ryan C. Fogle "persona non grata" e
ordenou sua saída imediata do país.
Fogle foi
detido pelas autoridades russas sob acusação de espionagem. Segundo Moscou, as ações do diplomata são uma reminiscência da Guerra
Fria.
"Ações provocativas como essas no espírito da
Guerra Fria não promoverão de forma alguma o fortalecimento da confiança
mútua", disse o Ministério de Relações Exteriores depois de a agência de
segurança russa ter informado que flagrou Fogle, funcionário da CIA, tentando
recrutar um agente russo para passar informações a Washington. O ministério
disse que Fogle deve retornar aos Estados Unidos "o mais rápido possível".
O Serviço Federal de Segurança disse que Fogle,
terceiro secretário da embaixada dos EUA em Moscou, foi detido durante a
madrugada com um "equipamento técnico especial", um disfarce, uma
grande quantia em dinheiro e instruções para recrutar seu alvo. O embaixador
norte-americano Michael McFaul foi convocado mais cedo pela chancelaria russa
para prestar explicações.
Propósito. Mark
Galeotti, professor da Universidade de Nova York, que estuda os serviços de
segurança russos, disse que a exposição pública de Fogle e as imagens
divulgadas pela televisão russa sugerem que há um propósito político por trás
de sua detenção. Segundo ele, este tipo de incidente com espiões acontece com
alguma frequência, mas é raro que se faça tanto estardalhaço com algo no
gênero.
"Geralmente, essas questões são tratadas com
calma, a menos que se queira enviar uma mensagem, disse Galeotti. "Se você
identifica um funcionário de uma embaixada que é um espião para o outro lado, o
impulso natural é deixá-lo onde está porque, uma vez identificado, você pode
manter o controle, ver com quem conversar e tudo mais. Não há razão para tanto
estardalhaço, para detê-lo, expulsá-lo."
Para Galeotti, o caso Fogle não deve
afetar a cooperação entre as agências de contrainteligência dos Estados Unidos
e da Rússia sobre o atentado contra a maratona de Boston e os dois suspeitos da
ação. "Todos os que compartilham informações de inteligência sabem que
existe um processo paralelo no qual todos espionam todos sobre tudo",
disse ele. / REUTERS e AP

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