![]() |
| Assassinado por fazer bom trabalho. |
O Brasil ocupa o 10º lugar na lista de doze países com elevado índice de
impunidade para casos de jornalistas assassinados, segundo um relatório
divulgado nesta quinta-feira em Nova York, véspera do Dia Mundial da
Liberdade de Imprensa. Iraque, Somália e Filipinas lideram a lista divulgada
pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ, em inglês), que tem como
maior novidade a inclusão da Nigéria. Na América Latina, além do Brasil,
Colômbia e México também integram o triste ranking.
O índice de impunidade anual do CPJ identifica os países onde
jornalistas são assassinados e onde os governos fracassam em sua tentativa de
resolver os crimes. Ele reúne casos de 2003 até o fim de 2012 e apenas os
países com cinco ou mais casos sem solução são incluídos.
A análise do CPJ indica que a violência contra a imprensa se
intensificou no Brasil. Apesar de estarem à frente, países como Colômbia (5º) e
México (7º) tiveram uma queda no número de assassinatos de jornalistas.
![]() |
| Outro Assassinado por fazer bom trabalho. |
No caso do Brasil, o CPJ aponta uma série de assassinatos que não foram
esclarecidos nos últimos três anos, em particular de blogueiros e jornalistas
de meios de comunicação digitais de Estados do interior do País. Por isso,
depois de ter saído do índice de impunidade em 2010, o Brasil voltou, já que a
situação atual "demonstrou que os avanços foram ilusórios" e ainda
existem nove assassinatos sem solução.
"As forças da polícia e do Poder Judiciário, principalmente em
pequenas cidades, são muito vulneráveis às pressões de poderosos grupos
locais", afirmou Veridiana Sedeh, da Associação Brasileira de Jornalismo
Investigativo, citada no relatório do CPJ. "Inclusive existem casos nos
quais as próprias autoridades cometem os crimes e posteriormente impõem
obstáculos para as investigações", acrescentou.
Colômbia
Conhecida pelos conflitos armados internos e por ser uma das principais rotas de drogas no mundo, a vizinha Colômbia "conquistou avanços sustentados" em matéria de segurança, já que nenhum jornalista foi assassinado por seu trabalho desde 2010, embora os progressos tenham sido mais modestos na resolução de crimes de repórteres, com oito casos impunes.
Conhecida pelos conflitos armados internos e por ser uma das principais rotas de drogas no mundo, a vizinha Colômbia "conquistou avanços sustentados" em matéria de segurança, já que nenhum jornalista foi assassinado por seu trabalho desde 2010, embora os progressos tenham sido mais modestos na resolução de crimes de repórteres, com oito casos impunes.
"As melhorias no clima de segurança em geral superaram os avanços
no âmbito judicial", disse Carlos Cortez, um dos fundadores da organização
colombiana Fundação para a Liberdade de Imprensa, também citado no relatório.
O México, por sua vez, fracassou completamente na punição dos
responsáveis por 15 assassinatos de repórteres nos últimos dez anos e tem um
índice de impunidade de 90% para os crimes de jornalistas.
![]() |
| Mortos no cumprimento do dever |
O CPJ indica que os assassinatos de jornalistas diminuíram levemente nos
últimos três anos, mas que isso se deve, em parte, "à autocensura que se
estabeleceu praticamente em todos os cantos do país, fora da capital".
Dez dos 12 países que aparecem no Índice de Impunidade têm se mantido na
lista desde que o CPJ começou a realizar as estatísticas, em 2008. A Nigéria,
incluída pela primeira vez, e o Brasil, que se ausentou por um ano, são as
exceções.
Alvos
Os jornalistas locais foram as vítimas na grande maioria dos casos não resolvidos que aparecem no índice (254 sobre 265 assassinatos), com as coberturas de política e corrupção como as mais arriscadas (50% dos crimes).
Os jornalistas locais foram as vítimas na grande maioria dos casos não resolvidos que aparecem no índice (254 sobre 265 assassinatos), com as coberturas de política e corrupção como as mais arriscadas (50% dos crimes).
Apesar do alto número de mortes de jornalistas, a Síria não aparece no
índice. As investigações do CPJ mostram que a grande maioria das vítimas morreu
em incidentes de fogo cruzado relacionados aos combates.
O CPJ é uma organização independente com sede em Nova York e que se
dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo. Em fevereiro, o
Comitê havia divulgado um relatório no qual apontava que Brasil e Equador
estavam na lista de dez países do mundo onde a liberdade de imprensa corre perigo.




Nenhum comentário:
Postar um comentário