Liderança governista quer evitar que projeto
aprovado seja diferente da proposta original do Planalto; caso mudanças sejam
bruscas, Dilma vai optar por regular o setor por decreto.
O governo tenta nesta segunda-feira (13) uma última cartada para
aprovar a Medida Provisória 595/2012, que regulamenta o setor portuário e abre
as portas para novos investimentos anunciados pela presidente Dilma
Rousseff , sem que
haja grandes alterações em relação ao projeto original do Palácio do Planalto.
“Teremos uma reunião de líderes da base às 16h30 para uma última tentativa de
acordo de procedimento e de emendas legislativas”, disse o líder do governo na
Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
A MP dos
Portos será apreciada em plenário em uma sessão atípica de segunda-feira,
convocada pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para
tentar aprovar o texto e encaminhá-lo ao Senado para votação até a próxima
quinta-feira (16), quando vence o prazo da medida provisória. “Todo mundo sabe
que está no limite e isso elimina qualquer jogo de cena”, diz Chinaglia.
O “jogo de
cena” é uma crítica indireta ao movimento encabeçado pelo aliado Eduardo Cunha,
líder do PMDB. Cunha desagradou ao governo na semana passada ao tentar aprovar
um texto complementar, aglutinando destaques que desconfiguravam drasticamente a
proposta debatida sob tutela do senador Eduardo Braga (PMDB-AM) com aval do
Planalto. “Ele (Cunha) assumiu um posicionamento e não vejo como pode mudar”,
avalia.
A reunião
de hoje será uma forma de bater pé sobre a posição do governo. “O governo
apresentou uma proposta e essa é a proposta do governo”, enfatiza Chinaglia.
Cunha, porém, sinaliza
que não dará atenção ao protesto. “Teremos uma reunião de bancada na
terça-feira às 12h, para decidir como o PMDB votará”, afirma ao iG .
Para aprovar
a MP dos Portos, o governo precisará da presença mínima de 257 deputados,
quórum difícil de reunir em segundas-feiras – a Câmara institucionalizou, no
ano passado, o expediente de terça a quinta-feira, liberando dois dias úteis
para atividade na base eleitoral. O governo precisará ainda de voto favorável à
MP por 129 deputados, a maioria simples dos 257.
Se a base
estivesse alinhada, a aprovação não seria problema. O líder do PMDB, contudo,
orienta os parlamentares do partido a não comparecer à votação de hoje. Ele
quer esvaziar o plenário para forçar a votação nesta terça-feira (14). “Estou
pedindo para a bancada não ir”, afirma.
Cunha vai
apoiar o requerimento de partidos da oposição, como DEM e PSDB, pedindo
adiamento da sessão. “Alguns líderes não querem a votação nesta segunda. Entre
eles, eu”, diz.
Nos
bastidores do Planalto a MP dos Portos já é vista como causa perdida. A
percepção é de que se a Câmara aprovar “um mostrengo”, como relata um assessor
de Dilma, nem mesmo alterar a medida provisória no Senado interessará à
presidente.
A
presidente já considera que o ideal será legislar o setor portuário por meio
decreto. O movimento vai começar pela renovação de concessões vencidas de
terminais portuários. A MP regularia a renovação por igual período da
concessão.

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