Para o PGR, ainda não há clima de tensão entre Legislativo e
Judiciário.
O procurador-geral da
República, Roberto Gurgel, criticou nesta quinta-feira (25) a participação dos
deputados condenados pelo mensalão João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino
(PT-SP) na votação de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que submete decisões do STF (Supremo
Tribunal Federal) à análise do Congresso Nacional.
Na opinião de
Gurgel, os dois mensaleiros nem mesmo deveriam estar exercendo mandato
parlamentar.
— Em primeiro
lugar, eles estão os dois parlamentares, no exercício do mandato parlamentar.
Mas na visão da PGR não deveriam estar. Quando o julgamento se concluiu eu pedi
que se determinasse a imediata execução do julgado em todos os seus aspectos e
[isso] compreenderia inclusive a impossibilidade de exercício do mandato
parlamentar por pessoas condenadas naquele julgamento. Mas esse pedido não foi
deferido e hoje temos essa realidade.
O procurador
disse que não consegue ver ainda uma retaliação do Congresso Nacional ao
julgamento do mensalão.
— Não sei [se tem
relação como mensalão]. Realmente temos que continuar observando. Ontem a
decisão do ministro Gilmar se insere em princípio da competência do STF, assim
como providências legislativas adotadas pelo Congresso Nacional.
Gurgel falou com
a imprensa na saída de um evento do Ministério Público Federal em que defendeu
o aumento da transparência de ações da Justiça.
Apesar dos
embates entre parlamentares e ministros do Supremo sobre questões ligadas a
atuação dos dois Poderes, Gurgel diz que ainda não vê tensão e que tanto um
como o outro estão "nos seus direitos".
— Eu acho
que o STF tem atuado digamos no âmbito da sua competência constitucional, como
guardião que é da Constituição e certamente não cairia no equivoco de invadir
atribuição de outro Poder. É um fenômeno que se assiste em todo o mundo a
presença cada vez mais forte do Poder Judiciário, sem que isso signifique
invasão das competências e atribuições do Legislativo.
Gurgel se referia à suspensão liminar do ministro do
STF Gilmar Mendes, na quarta-feira (24), à tramitação do projeto que limita a
atuação dos partidos políticos novos restringindo o acesso ao fundo partidário
e tempo de rádio e TV nas eleições.
O procurador
disse que ainda vai analisar a decisão, quando precisar se manifestar, mas que,
a princípio, não vê interferência dos poderes e que o Supremo já se manifestou
em casos semelhantes.
Valério
Gurgel afirmou que as críticas feitas sobre o depoimento de
Marcos Valério à PGR não
levam em conta como aconteceu o depoimento.
Segundo ele,
Valério procurou o STF para falar esperando que o que dissesse pudesse ser
usado imediatamente e beneficiasse ele no julgamento do mensalão.
— Eu desfiz
prontamente essas duas perspectivas dizendo que não haveria possibilidade de
usar na AP 470 [Ação Penal 470, o julgamento do mensalão] porque o julgamento
se iniciara e que não haveria nenhum proveito em eventual colaboração. Ainda assim
ele resolver prestar o depoimento e aconteceu o que ele se dispôs a prestar
naquele momento. Realmente está longe de ser detalhadíssimo. A partir dele [do
depoimento], caberá às instâncias competentes atuar.
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